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No começo do namoro, os beijos demoravam mais de três minutos. Era só ele chegar perto para os seus batimentos cardíacos dispararem. Se ele pousasse levemente as mãos nas suas coxas, dava aquele calor, seguido de uma vontade incontrolável de arrancar a roupa. Se trocasse de roupa na sua frente, você pulava em cima dele cheia de más intenções. Bons tempos! Hoje a realidade é outra. Ao olhar para ele, não tem como fingir: você não sente mais o mesmo tesão do início do relacionamento. E agora?
A primeira vez, além de inesquecível, é única. Isso significa que não tem "primeira vez" duas vezes, nem três, muito menos 47 vezes. Ou seja, depois de transar um monte de vezes com a mesma pessoa é difícil haver alguma novidade ou voltar a sentir aquele frio na barriga que só o ineditismo proporciona. "O tempo passa impiedosamente e leva com ele o desejo do início do namoro", diz a advogada Fabiana G., de 31 anos.
Casada há três anos, Fabiana admite que não vê o marido com os mesmos olhos da lua de mel. "Não vejo explicação para isso: continuo amando o meu marido, mas ele já não me desperta como antes. A gente precisa de preliminares mais longas, às vezes parte para um vinhozinho, um filme... Raramente transamos do nada como era no namoro", revela a advogada, que entende essa mudança como parte do pacote do casamento.
“Eu nunca tinha convidado nenhum homem para sair e, agora que estou casada, tenho que fazer isso com o meu próprio marido”
Quando a mulher ou o marido relaxam com o corpo, pode ser que isso se reflita debaixo dos lençóis. E é muito comum engordar no início do relacionamento. Que o diga a publicitária Eloá C., de 27 anos, que engordou cinco quilos depois de conhecer a cara metade. "Ele jura que não liga, diz que até prefere o meu corpo assim, mais carnudo. Mas eu não me sinto bem e não tenho a mesma vontade de transar que antes", revela.
Eloá acaba optando por ir para cama sem tirar a roupa toda ou de luz apagada. "Eu quero entrar numa academia para ver se me sinto mais segura com o meu corpo. Enquanto isso, para compensar, gosto de fazer uma depilação especial. Quando está do jeito que eu gosto, me sinto mais poderosa e temos transas dignas dos primeiros encontros", conta a publicitária, que marcou o salão para amanhã mesmo.
Há outro tipo de relaxamento que pode ser mais cruel do que alguns quilos a mais: o romantismo em baixa. No início, era "minha princesa" para cá e "coisa mais linda" para lá. Agora que estão íntimos, os galanteios deram lugar à impaciência. "Meu marido chega em casa e pensa que eu tenho que estar pronta para o sexo. Não me trata com delicadeza, não me leva pra tomar um drinque, quer ir direto ao assunto, sabe como é?", conta a empresária Antonia F., de 29 anos.
Ela sente falta do namorado que diz ter perdido no dia em que se casou. "Antes ele era mais amoroso, mais leve. Hoje está sempre agitado, cheio de preocupações e isso abala o meu tesão", diz ela, que costuma convidá-lo para sair e tenta mudar de ares. "Mas acho que quem devia fazer isso é ele. Eu nunca tinha convidado nenhum homem para sair e, agora que estou casada, tenho que fazer isso com o meu próprio marido", reclama.
Dicas para apimentar a relação
Segundo sexóloga Gleine Faria, a diminuição do desejo da mulher é comum nos relacionamentos longos. "Isso acontece por conta da rotina: fazer sexo com o mesmo parceiro, no mesmo local, do mesmo jeito. E a mulher se ressente disso mais rápido do que o homem", afirma a sexóloga, lembrando que a saída é quebrar a rotina. "A mulher deve pensar nas suas fantasias, ler contos eróticos, ver filmes que tenham cenas sensuais e pensar nelas na hora do sexo - as mulheres costumam pensar em diversos temas na cama, menos no sexo propriamente dito", revela Gleine.
A sexóloga dá mais dicas como mudar de ares e investir em uma lingerie nova. "Quando a mulher veste uma camisola nova, pode ser que não faça diferença para o homem, mas ela vai se sentir mais bonita e elevar sua autoestima. Ir para o motel também é uma boa idéia. E é melhor que seja à tarde, quando ela está mais descansada", explica Gleine. O segredo é começar a namorar de novo, jantar fora, acender velas, tomar um vinho. "Essa é uma iniciativa da mulher, vem da sutileza feminina. O homem dificilmente vai tomar essa iniciativa, mas ele vai ver os resultados e aprender", finaliza.
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